sábado, 12 de março de 2016

O pior figurino - Oscar 2016

Há rostos que pouco aparecem, talvez até nem o nome, isto porque poucas pessoas prestam atenção à longa lista de nomes que aparecem na ficha técnica ao final dos filmes. Mas aí vem a festa do Oscar*, e ficamos conhecendo alguns destes rostos.

Este ano conheci a figurinista Jenny Beavan, que apareceu na cerimônia do Oscar vestida como uma motoqueira clássica: jaqueta, calças e botas pretas. Só faltou a Harley Davidson. Quando seu nome foi anunciado, por ninguém menos que a rainha da elegância, Cate Blanchett, quase não houve aplausos. Jenny Beavan, uma britânica de 65 anos, caminhou tranquilamente para o palco. Os cabelos compridos emoldurando o rosto, sem qualquer vestígio de terem passado pelas mãos de um cabeleireiro, o rosto vazio de maquiagem, e as roupas... Enfim, uma imagem distante do glamour do tapete vermelho. O brilho dos cristais Swarowski que a própria figurinista mandou bordar nas costas da jaqueta de couro sintético formando o desenho símbolo do filme Mad Max, parecem ter passado despercebidos num primeiro momento.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Candies in Hell (Doces no Inferno)

A Dra. Mary Carroll Ellsberg, ativista americana que roda o mundo em luta contínua pelos direitos das mulheres, desde bem jovem, impressionada com os números da violência, principalmente nas ilhas do pacífico, onde mais de 60% das mulheres sofreram algum tipo de abuso é autora do livro que se tornou sua tese de doutorado, Candies in Hell. 

O título, está intimamente ligado à história de uma mulher, Ana Cristina, casada aos 15 anos com um rapaz de educação sofisticada, que no dia seguinte ao casamento iniciou um quadro de espancamento que se tornou rotina na vida da jovem esposa e mãe. O caso clássico: o cara bebia, espancava a esposa e depois presenteava-a com doces e flores, devidamente acompanhados das desculpas matreiras. História comum no mundo inteiro, e que na Nicarágua deu origem a um ditado, e código, entre as mulheres: Candies in hell (Doces no inferno).

Ana Cristina sofreu toda a sorte de tortura por parte do marido, violência que se estendeu aos filhos que com o tempo acostumaram-se a correr para os fundos da casa e a pular para a casa da vizinha, pq o pai bêbado pegava a arma e disparava em direção às crianças. Ana Cristina fugia para a casa da mãe, que junto com as tias, a incitava a retornar para casa, com a costumeira desculpa: os filhos, aquele era seu marido, o seu lugar, a sua vida, e a cruel questão 'Afinal o que ela podia fazer?". Até que a avó interveio e falou que ela precisava correr daquela relação porque "Honey, what you gonna do with candies in hell?" (Querida, o que você vai fazer com doces no inferno?)


Números oficias da OMS: Mais de 750 milhões de mulheres no mundo sofrem algum tipo de violência, mas acredita-se que a realidade seja pior: mais de um bilhão.
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